Setembro verde: Senac em Minas mantém ações contínuas de acessibilidade e inclusão
Senac em Minas mantém ações de acessibilidade e inclusão, com tecnologia assistiva, Libras, acompanhamento psicossocial e apoio a pessoas com deficiência.
Iniciativas incluem tecnologia assistiva, intérprete de Libras e formação em diversidade
Segundo dados recentes do IBGE, existem hoje no Brasil 17,2 milhões de pessoas com pelo menos uma deficiência. Entretanto, apenas 28,3% dessas pessoas estão presentes no mercado de trabalho, enquanto a participação de pessoas sem deficiência é de 66,3%. A remuneração entre PCDs e pessoas sem deficiência também é discrepante: em média, o salário de um PCD é de R$ 1.639 contra R$ 2.619 de uma pessoa sem deficiência.
Com foco na inclusão de PCDs no mercado de trabalho e na diminuição de barreiras, o Senac, que integra o Sistema Fecomércio MG, tem a inclusão como prioridade há mais de uma década. Desde 2013, antes mesmo de se tornar uma exigência legal, a instituição desenvolve ações voltadas à inclusão de pessoas com deficiência, tanto entre seus alunos quanto no ambiente de trabalho.
Uma das ações contínuas é o diálogo inicial com a pessoa autodeclarada com deficiência e com necessidades específicas. Trata-se de uma conversa com os colaboradores e estudantes com o objetivo de compreender necessidades específicas e promover os apoios e adaptações necessários.
Para pessoas com deficiências não visíveis, o Senac disponibiliza o cordão de girassol personalizado, de uso facultativo para colaboradores, para identificação de pessoas com deficiências ocultas. Essa é uma ação que promove uma cultura de respeito e acolhimento, evitando julgamentos sobre comportamentos ou necessidades que não são visíveis de imediato.
O Senac também mantém um Grupo de Trabalho da Pessoa com Deficiência, criado para discutir, acompanhar, validar e propor ações de inclusão e acessibilidade na instituição. Com o lema “Nada sobre nós, sem nós”, a iniciativa valoriza o protagonismo das pessoas com deficiência nas decisões que impactam suas vidas.
Em relação à acessibilidade comunicacional, o Senac conta com uma intérprete institucional de Libras, que atende demandas corporativas e de colaboradores. Somado a isso, a instituição oferece o Momento Libras, uma trilha educativa, que ocorre de 15 em 15 dias, destinada à aproximação (de forma espontânea) dos colaboradores com a Língua Brasileira de Sinais e com a cultura surda.
Há também o investimento em tecnologia assistiva. Em uma iniciativa pioneira em Minas Gerais, o Sistema Fecomércio MG adquiriu 45 dispositivos OrCam MyEye 2.0 distribuídos nas unidades educacionais e sedes administrativas, para estudantes e colaboradores com deficiência visual. Equipado com inteligência artificial, o recurso amplia o acesso a informações e a autonomia nos estudos e no trabalho.
O Senac também desenvolve ações voltadas à inclusão e ao acompanhamento psicossocial dos estudantes por meio do Acolha Senac – Programa de Acompanhamento Psicossocial e Inclusivo. A iniciativa reúne profissionais da Psicologia Educacional, Serviço Social e Educação Inclusiva que identificam as necessidades, reduzem as barreiras e constroem estratégias que favoreçam a trajetória acadêmica.
Ferramentas na prática
Colaboradora na área administrativa do Senac, Patrícia Abreu, é uma pessoa com deficiência visual. Ela possui perda de visão progressiva, o que gerava dificuldades no acesso e identificação de documentos e informações, impactando sua autonomia no trabalho.
Como recurso de acessibilidade, foram disponibilizados o NVDA, leitor de tela que converte as informações do computador em áudio, e o OrCam, tecnologia assistiva com câmera inteligente que auxilia na leitura de textos e identificação de pessoas e elementos do ambiente por meio de áudio.
Também foi solicitado o Cordão de Girassol. A partir de seu uso, a profissional percebeu maior sensibilização dos colegas, que passaram a realizar mais audiodescrições e a descrever situações e elementos presentes no ambiente.
“No início, foi difícil aceitar que eu precisava usar recursos de acessibilidade. Hoje, os óculos e o cordão de girassol fazem parte da minha rotina e ajudam as pessoas a entenderem melhor quando preciso de alguma ajuda. É muito importante ter esse tipo de ação, porque mostra que nós, pessoas com deficiência, temos o direito de ocupar todos os espaços”, comenta Patrícia.
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