Dependência digital: como salvar os filhos do excesso de telas?

Psicólogo explica como identificar sinais de dependência digital em crianças e adolescentes e apresenta orientações para que as famílias promovam um uso mais saudável das telas.

Jun 2, 2026 - 11:25
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Dependência digital: como salvar os filhos do excesso de telas?
“As telas precisam voltar a ocupar um lugar de ferramenta, e não de centro da vida familiar”, afirma Renato Rosa, especialista em dependência tecnológica digital.Arquivo Pessoal.

Dependência digital: como salvar os filhos do excesso de telas?

Na coluna Vida Plena – À Luz da Palavra, a entrevista PING-PONG aborda o tema: “Dependência digital: como salvar os filhos?”. Para debater o assunto, conversamos com Renato Pinheiro Rosa, psicólogo, 45 anos, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e dependência tecnológica digital.
Natural de Recife/PE e atualmente residente em Cuiabá/MT, Renato atua na psicologia clínica, consultoria empresarial e desenvolvimento humano, além de ministrar palestras sobre dependências digitais. Com atendimento on-line de pacientes no Brasil e no exterior, o especialista possui ampla experiência no tratamento de ansiedade, depressão, TDAH em adultos, burnout e dependência em jogos, apostas esportivas, redes sociais e telas digitais.

Como os pais podem perceber que o filho passou do uso normal para a dependência das telas?
O principal sinal é a perda de controle. Os pais começam a notar mudanças na rotina e no comportamento, como dormir tarde para permanecer conectado, irritação ao sair das telas, isolamento social e perda de interesse por atividades antes prazerosas.
Também são comuns queda no rendimento escolar, dificuldade de concentração e desorganização. As telas passam a ocupar um espaço excessivo na vida emocional, social e acadêmica da criança ou adolescente.
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O que mais preocupa no excesso de celular e jogos on-line?
A maior preocupação é a hiperestimulação cerebral constante. Crianças e adolescentes recebem estímulos rápidos e recompensas imediatas desde muito cedo, o que pode afetar atenção, aprendizado, tolerância à frustração e controle emocional.
Além disso, o excesso de telas está ligado ao sedentarismo, problemas no sono, piora alimentar, obesidade, dores posturais e aumento dos casos de miopia.
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Qual é o maior erro dos pais nessa situação?
Muitos pais acreditam que o filho está seguro apenas por estar dentro de casa usando o celular ou computador. No entanto, o ambiente digital também oferece riscos emocionais, psicológicos e sociais.
O uso excessivo e sem supervisão pode aumentar problemas como ansiedade, isolamento, contato com conteúdos inadequados e até comportamentos autolesivos.
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Que medidas práticas os pais podem adotar em casa?
Os pais precisam compreender que são os principais modelos de comportamento dentro de casa. É muito difícil exigir limites dos filhos quando os adultos também apresentam dificuldades em se desconectar.
É preciso criar regras válidas para toda a família. Quanto mais cedo os limites forem estabelecidos, melhor.
Entre as orientações estão:
•    Não utilizar telas durante as refeições;
•    Evitar telas de 30 minutos a 1 hora antes de dormir;
•    incentivar atividades off-line em família; 
•    evitar telas nos quartos; 
•    acompanhar tempo de uso, jogos e conteúdos acessados. 
O objetivo não é apenas proibir, mas criar equilíbrio e fortalecer a convivência familiar.

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Como agir quando o filho não respeita mais os limites?
O momento exige firmeza e acolhimento. O diálogo é essencial para reconstruir a conexão familiar e reduzir conflitos causados pelo excesso de telas. Em muitos casos, é importante diminuir o tempo de uso gradualmente e substituir esse espaço por atividades off-line, esportivas e momentos em família. Também é necessário avaliar possíveis questões emocionais associadas, como ansiedade, impulsividade e dificuldade de autocontrole.
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Ainda é possível reverter esse cenário?
Sim. Quanto mais cedo os pais agirem, maiores serão as chances de mudança. Na adolescência, o processo costuma ser mais difícil por causa das transformações da fase, à busca por pertencimento, à influência social e à necessidade de autonomia.

Entre as orientações estão:
* Quanto mais tarde ocorrer o acesso irrestrito às redes sociais, melhor;
* Estabelecer limites claros para o tempo diário de internet;
* Evitar telas durante a noite no quarto;
* Fortalecer momentos de conexão off-line entre pais e filhos;
* Demonstrar interesse genuíno pela vida digital e emocional dos filhos
* Criar combinados claros sobre horários, locais e conteúdos permitidos;
* Incentivar esportes, brincadeiras, natureza e convivência social presencial.

Educar para o uso saudável das telas talvez seja um dos maiores desafios da parentalidade moderna.
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Como os pais podem perceber se também estão exagerando no celular?
Muitas vezes, o celular acaba recebendo mais atenção do que a própria família. Trabalho, mensagens, notícias e redes sociais ocupam o espaço que poderia ser destinado à presença emocional e à conexão familiar.
Os pais precisam refletir: “O celular está aproximando ou afastando minha família?” e “Eu realmente preciso escolher a tela em vez da presença dos meus filhos?”. 
As telas estão roubando algo muito valioso das famílias: presença. E, junto com ela, afeto, conexão e atenção.
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Como construir uma vida equilibrada em meio às telas?
O equilíbrio não significa abandonar a tecnologia, mas aprender a usá-la de forma consciente. As telas devem ser ferramentas, e não o centro da vida familiar.
Famílias que preservam momentos de conversa, refeições juntos e atividades presenciais e presença emocional tendem a fortalecer vínculos e a desenvolver relações mais saudáveis, além de favorecer a formaçao de filhos emocionalmente mais preparados.
É necessário formar crianças e adolescentes capazes de utilizar a tecnologia sem perder aquilo que nos torna humanos: vínculo, empatia, presença e conexão real.

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